Sempre gostei de escrever. Desde pequena escrevia muito, e jogava fora tudo o que escrevia pra que ninguém lesse. Quando criei o outro blog, escrevia com a alma. As frases surgiam com uma rapidez estressante. Algumas cheguei a perder no turbilhão dos pensamentos.
Continuo tendo tanta necessidade de escrever...mas não consigo. Simplesmente não consigo. Muitas vezes acordo à noite com textos quase prontos e ao me levantar, tudo se perde.
Talvez essa seja mais uma das tantas coisas que já fiz um dia e, de repente, parei.
23 de dezembro de 2014
7 de outubro de 2014
Recado pra Cris
Tô em Bela Vista. E tá difícil Bela Vista sem você. Tô com raiva de mim, por sentir tanto sua falta aqui. Tô com raiva de você que me abandonou. Tô com raiva do Universo que coloca as pessoas na vida da gente e depois as tira, como se isso fosse uma brincadeira.
Esta cidade feia tem outras pessoas lindas que gostam de mim, mas só a madrinha e você me conhecem bem, e só com você posso abrir o coração e desnudar a alma.
Como viver aqui sem a delicadeza da Maria Antônia olhando pra mim e dizendo que tô bonita? Como não ouvir mais a Mariazinha falando: - Oi Lô! A única pessoa que me chama assim é ela. Nunca mais vou chegar na sua casa sem saber se você tá atacada ou não. Onde vou ouvir outra risada exagerada e gostosa como a sua? Realmente, nada tenho a comemorar desta vez. Subir a rua e saber que vocês não estão mais naquela casa não tem graça nenhuma.
Uma pessoa mais positiva pensaria: mas foram tão bons esses anos de amizade de vocês!
Desculpe, mas hoje não consigo ser positiva. Só consigo pensar: e daqui pra frente sem você, como será?
O único alento que tenho é saber que vocês estão mais felizes aí. Isso há de compensar a ausência sofrida que sentirei o resto da minha vida.
Esta cidade feia tem outras pessoas lindas que gostam de mim, mas só a madrinha e você me conhecem bem, e só com você posso abrir o coração e desnudar a alma.
Como viver aqui sem a delicadeza da Maria Antônia olhando pra mim e dizendo que tô bonita? Como não ouvir mais a Mariazinha falando: - Oi Lô! A única pessoa que me chama assim é ela. Nunca mais vou chegar na sua casa sem saber se você tá atacada ou não. Onde vou ouvir outra risada exagerada e gostosa como a sua? Realmente, nada tenho a comemorar desta vez. Subir a rua e saber que vocês não estão mais naquela casa não tem graça nenhuma.
Uma pessoa mais positiva pensaria: mas foram tão bons esses anos de amizade de vocês!
Desculpe, mas hoje não consigo ser positiva. Só consigo pensar: e daqui pra frente sem você, como será?
O único alento que tenho é saber que vocês estão mais felizes aí. Isso há de compensar a ausência sofrida que sentirei o resto da minha vida.
Que vocês sejam muito felizes aí querida, e que esta nova etapa seja o início de uma nova vida pra vocês três. Jamais me esquecerei de vocês.
Beijos Beijos Beijos
Beijos Beijos Beijos
1 de agosto de 2014
Vai pra cabine!
Ela tinha pavor de avião (hoje sente só medo), mas pavor
mesmo. Sentava, afivelava o cinto, não olhava pros lados, não bebia, não comia
. E isso, numa época em que a comida do avião era quentinha, saborosa e servida
em prato de louça com talheres de inox.
Num voo , a filha caçula foi convidada por uma comissária, pra
conhecer a cabine dos pilotos. Voltou maravilhada com a quantidade de luzes e
botões que viu. Logo depois, o piloto veio conhecer os pais daquela menina
linda e tão faladeira. Por ter prestado mais atenção nas luzes da cabine do que
nas pessoas que lá estavam, a pequena
pergunta pra mãe: - Mamãe, quem é esse moço?
E ela, chocada por ver aquele homem em pé ao seu lado,
responde com os olhos fixos nele e com a voz um tanto alterada: Esse homem é o
irresponsável que deveria estar lá na frente pilotando esse avião em vez de
ficar aqui de papo furado com seu pai.
Ela acabou de falar e quis morrer de vergonha. Seu marido
ficou com “cara de nada” e o piloto sorriu e disse que sabia ser essa uma
atitude típica das pessoas que têm medo de avião.
A partir desse dia ela passou a se policiar mais quando
voa. Sua grande conquista foi conhecer o banheiro de um avião em pleno voo.
7 de julho de 2014
Sem promessas
Faz alguns anos que não faço promessas que têm a mínima chance de não serem cumpridas.
Então não prometo, mas farei o possível pra manter este blog pelo menos mensalmente ativo.
Prometo. Opssss
Então não prometo, mas farei o possível pra manter este blog pelo menos mensalmente ativo.
Prometo. Opssss
20 de outubro de 2013
O som da chuva
Este texto foi escrito em março de 2009.
Sempre morei em cidades grandes, e mesmo que fosse em bairros tranquilos, havia toda sorte de sons diários e característicos: buzinas, carros passando na rua, uma sirene lá longe, um avião no céu. Vez ou outra um passarinho.
Aqui, em Bela Vista de Goiás, tudo é muito diferente, ou melhor, os sons são diferentes. Todas as manhãs acordo com uma sinfonia de papagaios avisando que "tá na hora de acordar". Quando algum morador passa pro andar de cima, o carro de som circula com uma música fúnebre avisando o passamento e informando local e hora do velório e sepultamento.
Chego ao sítio pouco depois das 7 da manhã todos os dias, e pelo caminho vou cruzando com muuuitos cachorros de rua. Cachorros de interior pois nem se preocupam em correr atrás do carro. Aliás, tem um cachorrinho que já deve ter morado em cidade grande, pois insiste em sair correndo de sua casa e me assustar com seu latido. INSISTIA. Depois que descobri onde ele mora, passei a frear rápido quando chego em frente à sua casa, frustrando o danadinho. É, eu também tenho um lado sacana. No sítio, alguns sons são constantes como o mugido das vacas das fazendas vizinhas, ou o som agradável de um pássaro chamado por aqui de Curicaca.
Mas nenhum som é mais fantástico do que o som da chuva chegando. Nas cidades grandes o céu escurece e a chuva cai. Em Bela Vista isso também acontece. Mas no sítio, a apenas 5 km do centro da cidade, pode-se ouvir a chuva chegar. Vou explicar: eu estava fazendo as amarrações no maracujal (assunto pra outro post) quando percebi que o tempo estava mudando. O rapaz que trabalha pra mim disse: "- A chuva vai chegar logo, olha o barulho." Agucei meus ouvidos, me concentrei, e consegui ouvir a chuva chegando. Sem raios, sem trovões. O barulho da chuva caindo na terra das fazendas, nas árvores. Chegando. A cada metro que aquela cortina cinza se aproximava, aquele som aumentava. Como se alguém estivesse aumentando o volume bem devagarinho. Como naqueles filmes que têm uma cena onde um som começa baixinho e vai aumentando à medida que algo se aproxima, e termina retumbante. Quando a chuva chegou, abrigados no galpão, eu quase não podia ouvir o que o rapaz falava.
E me emocionei. Jamais imaginei que um dia pudesse ouvir um som tão diferente. E tão bonito.
A cada dia que passo aqui, aprendo algo sobre a terra, as formigas, os cupins, como saber se vai chover olhando a lua. Nada até agora foi mais bonito do que aprender a ouvir o som da chuva que ainda não chegou. E estou aprendendo ainda mais a respeitar a natureza.
11/03/09
Sempre morei em cidades grandes, e mesmo que fosse em bairros tranquilos, havia toda sorte de sons diários e característicos: buzinas, carros passando na rua, uma sirene lá longe, um avião no céu. Vez ou outra um passarinho.
Aqui, em Bela Vista de Goiás, tudo é muito diferente, ou melhor, os sons são diferentes. Todas as manhãs acordo com uma sinfonia de papagaios avisando que "tá na hora de acordar". Quando algum morador passa pro andar de cima, o carro de som circula com uma música fúnebre avisando o passamento e informando local e hora do velório e sepultamento.
Chego ao sítio pouco depois das 7 da manhã todos os dias, e pelo caminho vou cruzando com muuuitos cachorros de rua. Cachorros de interior pois nem se preocupam em correr atrás do carro. Aliás, tem um cachorrinho que já deve ter morado em cidade grande, pois insiste em sair correndo de sua casa e me assustar com seu latido. INSISTIA. Depois que descobri onde ele mora, passei a frear rápido quando chego em frente à sua casa, frustrando o danadinho. É, eu também tenho um lado sacana. No sítio, alguns sons são constantes como o mugido das vacas das fazendas vizinhas, ou o som agradável de um pássaro chamado por aqui de Curicaca.
Mas nenhum som é mais fantástico do que o som da chuva chegando. Nas cidades grandes o céu escurece e a chuva cai. Em Bela Vista isso também acontece. Mas no sítio, a apenas 5 km do centro da cidade, pode-se ouvir a chuva chegar. Vou explicar: eu estava fazendo as amarrações no maracujal (assunto pra outro post) quando percebi que o tempo estava mudando. O rapaz que trabalha pra mim disse: "- A chuva vai chegar logo, olha o barulho." Agucei meus ouvidos, me concentrei, e consegui ouvir a chuva chegando. Sem raios, sem trovões. O barulho da chuva caindo na terra das fazendas, nas árvores. Chegando. A cada metro que aquela cortina cinza se aproximava, aquele som aumentava. Como se alguém estivesse aumentando o volume bem devagarinho. Como naqueles filmes que têm uma cena onde um som começa baixinho e vai aumentando à medida que algo se aproxima, e termina retumbante. Quando a chuva chegou, abrigados no galpão, eu quase não podia ouvir o que o rapaz falava.
E me emocionei. Jamais imaginei que um dia pudesse ouvir um som tão diferente. E tão bonito.
A cada dia que passo aqui, aprendo algo sobre a terra, as formigas, os cupins, como saber se vai chover olhando a lua. Nada até agora foi mais bonito do que aprender a ouvir o som da chuva que ainda não chegou. E estou aprendendo ainda mais a respeitar a natureza.
11/03/09
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