7 de julho de 2014

Sem promessas

Faz alguns anos que não faço promessas que têm a mínima chance de não serem cumpridas.
Então não prometo, mas farei o possível pra manter este blog pelo menos mensalmente ativo.
Prometo. Opssss

20 de outubro de 2013

O som da chuva

Este  texto foi escrito em março de 2009.
Sempre morei em cidades grandes, e mesmo que fosse em bairros tranquilos, havia toda sorte de sons diários e característicos: buzinas, carros passando na rua, uma sirene lá longe, um avião no céu. Vez ou outra um passarinho.
Aqui, em Bela Vista de Goiás, tudo é muito diferente, ou melhor, os sons são diferentes. Todas as manhãs acordo com uma sinfonia de papagaios avisando que "tá na hora de acordar". Quando algum morador passa pro andar de cima, o carro de som circula com uma música fúnebre avisando o passamento e informando local e hora do velório e sepultamento.
Chego ao sítio pouco depois das 7 da manhã todos os dias, e pelo caminho vou cruzando com muuuitos cachorros de rua. Cachorros de interior pois nem se preocupam em correr atrás do carro. Aliás, tem um cachorrinho que já deve ter morado em cidade grande, pois insiste em sair correndo de sua casa e me assustar com seu latido. INSISTIA. Depois que descobri onde ele mora, passei a frear rápido quando chego em frente à sua casa, frustrando o danadinho. É, eu também tenho um lado sacana. No sítio, alguns sons são constantes como o mugido das vacas das fazendas vizinhas, ou o som agradável de um pássaro chamado por aqui de Curicaca.
Mas nenhum som é mais fantástico do que o som da chuva chegando. Nas cidades grandes o céu escurece e a chuva cai. Em Bela Vista isso também acontece. Mas no sítio, a apenas 5 km do centro da cidade, pode-se ouvir a chuva chegar. Vou explicar: eu estava fazendo as amarrações no maracujal (assunto pra outro post) quando percebi que o tempo estava mudando. O rapaz que trabalha pra mim disse: "- A chuva vai chegar logo, olha o barulho." Agucei meus ouvidos, me concentrei, e consegui ouvir a chuva chegando. Sem raios, sem trovões. O barulho da chuva caindo na terra das fazendas, nas árvores. Chegando. A cada metro que aquela cortina cinza se aproximava, aquele som aumentava. Como se alguém estivesse aumentando o volume bem devagarinho. Como naqueles filmes que têm uma cena onde um som começa baixinho e vai aumentando à medida que algo se aproxima, e termina retumbante. Quando a chuva chegou, abrigados no galpão, eu quase não podia ouvir o que o rapaz falava.
E me emocionei. Jamais imaginei que um dia pudesse ouvir um som tão diferente. E tão bonito.
A cada dia que passo aqui, aprendo algo sobre a terra, as formigas, os cupins, como saber se vai chover olhando a lua. Nada até agora foi mais bonito do que aprender a ouvir o som da chuva que ainda não chegou. E estou aprendendo ainda mais a respeitar a natureza.

11/03/09

23 de dezembro de 2012

Vizinhas queridas

Nesta época do ano , mais que em outras , lembro muito das minhas vizinhas queridas que se tornaram amigas verdadeiras, mesmo que atualmente estejamos distantes.
Quando jovenzinha, fiz amizade com uma família incrível, os Dall'Acqua, que me adotaram emocionalmente.
Infelizmente, a vida tratou de afastar-nos.

Depois que me casei e mudei-me pra Brasília, conheci Cássia e Maria Célia, com quem tenho contato até hoje. E já se vão 31 anos.

Em Curitiba conheci Sonia Smolarek, que cuidou das minha duas maiores quando a caçula resolveu nascer, e cuidou das três quando precisei ser internada de emergência. Gratidão pura.
Tive a grata surpresa de reencontrar este ano, pelo face, Sonia e os Dall'Acqua, através da Selene.

Na Venezuela tive o prazer de ter duas maravilhosas vizinhas: Elsa Botaro, brasileira, e Ingrid Chaves, venezuelana. Fabulosas as duas. Elsa vive em Brasília e tenho como entrar em contato com ela. Ingrid vive hoje nos Estados Unidos.

Aqui no Panamá, fiz amizade com uma vizinha venezuelana tão jovem, que poderia ser minha filha: Luchi. Mulher ativa e despachada, com ela não tem "mais ou menos". Me dá muito colo quando a saudade das filhas aperta demais.

E com o passar dos anos, vamos vendo nossos filhos nos presentearem com netos. E vamos nos alegrando com a felicidade umas das outras.

Tenho um profundo sentimento de gratidão por todas elas, que em momentos distintos de minha vida, me ajudaram com seu apoio e sua amizade.

Obrigada a todas. Feliz Natal.
Beijo

25 de novembro de 2012

Campeões?? Cadê?

Eu sempre fui uma adicta das corridas de Fórmula 1, mas aquele GP em que o Rubinho precisou dar passagem pro Schumacher, e deixou pra fazer isso na última curva só pra mostrar quem era o bom, foi o último que assisti com prazer. Por aqui, assisti ao GP do Brasil com narração em castelhano, já que a Globo Internacional não tinha permissão pra transmitir as corridas, por regras contratuais. Menos mal, assim não precisei ouvir a voz do Bobão Bueno. O comentarista disse que as lágrimas que o Massa deixou rolar no pódio, eram de emoção por ter contribuído todo o ano com o seboso(mas não menos gato) Alonso. DUVI D O DÓ!!! Tenho certeza que eram lágrimas de frustração por ter tido que ceder o 2º lugar pro espanholzinho metido, e ter tido que engolir um montão de sapos o ano todo como 2º piloto da equipe. E nem adianta dizer que o Massa não tinha mesmo chance e por isso ajudou. Alguém consegue imaginar Emerson Fittipaldi ou Jack Stewart, Nelson Piquet ou Allan Prost, ou o insubstituível Airton Senna ganhando à base de ajudinha de companheiros de equipe? Talvez tenha acontecido uma ou outra vez, com um ou outro, mas não sistematicamente. Como não sigo mais o circo da Fórmula 1 com interesse e contância, não sei dizer se o Vettel precisou de cooperação pra ser campeão este ano. Tomara Luiz Razia ingresse na Fórmula 1 e nos surpreenda como há muito não acontece. Tomara.

17 de outubro de 2012

Dodói

...e no domingo, final de tarde, eu comecei a sentir uma dorzinha estranha no "pé da barriga", mas não fiz caso. Na segunda, já não podia utilizar o sufixo "zinha" porque a dor estava bem mais forte. E fui aguentando firme, mas o esposo, lindo demais da conta, começou a perceber que eu não estava muito bem. Jantamos e fomos dormir. E cadê que eu conseguia dormir? Pensei em cistite , diverticulite ... conheço bem essa dor porque por duas vezes precisei ser internada por causa dessas alcinhas no intestino. Pensei em outras coisinhas mais, como por exemplo, que preciso deixar em algum canto, todas as minhas senhas marcadas, porque... vai que, né... Ok, sou extremamente trágica e comecei a pensar: E se ocorre um erro médico e eu tô aqui no Panamá? Passei a noite tentando uma conexão na pousada onde estávamos, pra buscar auxílio do plano de saúde em alguma cidade mais próxima. Eu já estava achando que não conseguiria viajar os quase 400 kms de volta à cidade grande. E tinha outro agravante: na terça era aniversário do maridoco e seria muita sacanagem sair correndo por causa de uma dorzona. Logo cedinho ele perguntou: -Como cê tá? -Não tô muito bem não. Então temos que ir embora. Mas nem um beijinho de feliz aniversário ele tinha recebido ainda! -Vamos, pelo menos, procurar uma clínica em Pedasí, a cidade grande mais próxima (quatro mil habitantes). E lá fomos nós. Centro de saúde. Pessoas super gentis. $2.00 a consulta (R$ 4,00) e mais $1.00 pelos medicamentos colocados no soro que tomei por hora e meia. Melhorei rapidinho. Agora é chegar na cidade grande e correr atrás de um médico pra descobrir o que passou.